Unilever e Unicef se unem por saneamento básico*

postado por amoura @ 10:34 AM
10 de outubro de 2013

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*Fonte: Meio e Mensagem

Por meio do limpador Vim, companhia destina R$ 500 mil para projeto que beneficia crianças e cidades do semiárido. Iniciativa recebe tratamento de marca

A Unilever fechou uma parceria com a Unicef para combater um dos problemas que afeta o desenvolvimento das crianças do semiárido nordestino. Por meio da marca Vim, limpador que estreou nas gôndolas brasileiras neste ano, a companhia apoia um projeto criado pelo fundo internacional que procura elevar a qualidade de vida dos municípios da região. O foco da estratégia é melhorar as condições de saneamento nas escolas públicas. Para esse acordo com a Unicef, um contrato válido por dois anos (que deverá ser renovado posteriormente), a empresa destinará R$ 500 mil, inicialmente.

O aporte servirá para ampliar e divulgar um projeto da Unicef que existe há mais de dez anos no País: é o selo “Município Aprovado”, que mostra para as cidades inscritas diversas formas de buscar recursos para combater velhos problemas brasileiros como evasão escolar e altos índices de mortalidade infantil. Para fortalecer essa missão surgiu a campanha “Vim para Unicef”, uma ação que nasce digital e que não tem data para terminar. A proposta é convencer a população a encampar o tema “saneamento básico” como uma das questões que devem ser prioritárias para o desenvolvimento da nação.

Para Fernando Fernandes, presidente da Unilever Brasil, a falta de saneamento é algo inaceitável para o País. A meta, com a iniciativa, que recebe tratamento de marca, com site próprio (www.vimparaunicef.com.br) e brand channel no YouTube, é ajudar 450 mil crianças. A parceria com a Unicef já acontece em outros lugares do mundo. A aliança foi lançada em 2012 e inclui regiões como Gambia, Gana, Nicarágua, Nigéria, Filipinas e Vietnã. “No total do projeto foram beneficiadas 600 mil pessoas. No Brasil, pretendemos atingir 450 mil crianças. Isso demonstra que nossa ambição aqui é realmente importante”, salientou.

A campanha, criada pela Fbiz (que atende a conta digital de Vim) e que teve também a participação do Google na criação do “Vim para Unicef”, dá largada nesta quarta-feira, 9. No canal do YouTube que abriga a iniciativa serão veiculados vídeos contando histórias de crianças que vivem no semiárido e que desejam banheiros com água ou simplesmente banheiros (em algumas escolas há barracas improvisadas). A inexistência ou inadequação dessas estruturas sanitárias contribuem para os altos índices de mortalidade infantil em regiões como o semiárido e influenciam também na baixa escolaridade, já que as crianças deixam de frequentar a escola. Embaixadores do Unicef, como Renato Aragão e Daniela Mercury, que colaboram com a campanha, comentam esses e outros aspectos.

Uma das propostas da ação, além de expandir o conhecimento sobre o problema e informar que existe uma saída (o selo “Município aprovado”), é divulgar a mecânica da iniciativa. Como o produto é ainda novo no mercado, ainda não é possível destinar parte da renda obtida com a compra para o projeto. Mas essa etapa virá, afirma Diego Colicchio, diretor de marketing da área de limpadores. “No primeiro momento, o projeto é financiado pela marca. Na Europa, onde o produto existe há mais tempo (com o nome de Domestos), já é oferecida essa proporção do valor de compra para o consumidor”.

Colicchio ressaltou que a Unilever só irá considerar que teve sucesso com a iniciativa quando saneamento básico se tornar um assunto do dia a dia. Fernandes acrescentou que a companhia deseja que “Vim para Unicef” seja uma marca conhecida. “Seria fácil para a Unilever dar um cheque e assim ajudar os municípios, mas desejamos realmente envolver a sociedade nesse tema”.

Veja um dos filmes da campanha:


 

 

A revitalização de margens do rio São Francisco com o plantio de mudas de espécies nativas é uma das ações ambientais da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf). No Dia Mundial do Meio Ambiente, comemorado ontem, 5 de junho, o Exército Brasileiro e a Codevasf aproveitaram as celebrações da data para conscientizar estudantes e representantes da sociedade do município da Barra, na Bahia, sobre a importância da revitalização de bacias hidrográficas.

O evento contou com a palestra A Revitalização do Rio São Francisco, proferida pelo major Washington, na Câmara Municipal de Vereadores, e a visita a um dos trechos que estão sendo revitalizados pela Codevasf – por meio de destaque orçamentário ao Exército Brasileiro/Ministério da Defesa – para revitalização do trecho denominado “Ilha da Tapera”, próximo à Barra, na região de Xique-Xique (BA).

“A finalidade é estabelecer a margem direita do Rio São Francisco e desenvolver a vegetação nativa para evitar que sedimentos venham a ocupar o leito do rio e provocar o assoreamento”, explicou o engenheiro agrícola Círio José Costa, da Unidade de Conservação da Água, Solo e Recursos Florestais da Codevasf.

“Tudo aquilo que se faz para preservar a vida do Velho Chico é bem-vindo”, afirmou Dom Luiz Cappio, da Diocese de Barra. O bispo, que é um dos defensores da preservação do Rio São Francisco, assistiu à palestra e disse que para revitalizar é necessário recuperar as nascentes do rio e a preservação de seus afluentes, bem como garantir a despoluição da água.

“A Codevasf vem desenvolvendo ações para promover o aumento da qualidade e quantidade de água disponível nasbacias hidrográficas dos rios São Francisco e Parnaíba”, destacou o engenheiro agrícola Círio José Costa. Por meio do Programa de Revitalização das Bacias Hidrográficas dos Rios São Francisco e Parnaíba, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), a Companhia busca “o desenvolvimento regional e a melhoria da qualidade de vida da população”, completou.

Para realizar a contenção de talude e revitalização de 6,05 km da margem direita do rio, a Codevasf está investindo R$ 20,6 milhões.  “Esse é um projeto pioneiro de revitalização de margens, que evita o assoreamento que prejudica a navegabilidade do rio”, disse o tenente-coronel Dutra, comandante do 7º Batalhão de Engenharia de Combate, de Natal (RN), unidade do Exército responsável pela obra.

O Destacamento Potiguar em Barra conta com o efetivo atual de 65 militares, mas deve ser ampliado para cerca de 100 nos próximos meses, trabalhando na revitalização. Além deles, cerca de 20 funcionários civis de uma empresa contratada participam da ação.

 Conscientização ambiental-  A bordo de duas lanchas, usadas no transporte diário dos militares, os estudantes do Centro Estadual de Educação Profissional das Águas (CEEP) e representantes da sociedade de Barra deslocaram-se do porto do município até um dos trechos que estão sendo revitalizados. Durante a visita, eles observaram as diversas fases da ação: supressão da vegetação, onde toda a vegetação de uma determinada área é retirada para que seja feito o retaludamento da margem; implantação de defletores, que são construídos com estruturas de sacos de solo e cimento, usados como barreira para dissipar a força da correnteza; e plantio de mudas.

Os participantes também conheceram o viveiro de mudas de espécies nativas mantido pelo Exército e fizeram, às margens do Rio São Francisco, o plantio simbólico de mudas de dez espécies diferentes, como São João, Calumbi, Ipê e Pajeú, entre outras.

“Isso que vimos aqui nos enriqueceu muito, e vamos tentar implantar e replicar nos nossos projetos o que aprendemos hoje”, disse o estudante Rogério Figueiredo, do curso profissionalizante de técnico em Meio Ambiente. A colega de turma Jandira Ramos de Souza ficou satisfeita com a visita. “Gostei muito de conhecer esse trabalho e espero poder aplicar isso nos projetos que desenvolvemos com a comunidade”.

“É muito importante a conscientização, principalmente dos ribeirinhos, para manter o trabalho que está sendo feito. Mais importante do que revitalizar a margem é manter essa revitalização. Isso parte dos estudantes, dos ribeirinhos e da comunidade que vivem na margem do Rio São Francisco”, afirmou o tenente-coronel Dutra.

Ações têm R$ 1,3 bi- As principais ações ambientais da Codevasf contabilizam mais de R$ 1,3 bilhão em investimentos para o período 2011-2014 em Alagoas, Bahia, Maranhão, Minas Gerais, Pernambuco, Piauí e Sergipe. As ações fazem parte do Programa de Revitalização das Bacias dos Rios São Francisco e Parnaíba, coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA), e incluem coleta, tratamento e destinação de resíduos sólidos, controle de processos erosivos e esgotamento sanitário.

Os reflexos dessas ações, em geral, aparecem no médio e longo prazo. Um sistema de esgotamento sanitário, por exemplo, reduz os recursos aplicados no tratamento de doenças, uma vez que grande parte delas está relacionada à falta de solução adequada para esse problema. Com investimentos previstos no Plano Plurianual (PPA) 2011-2014 de R$ 1,07 bilhão, a ação da Codevasf de esgotamento sanitário, por exemplo, consiste na recuperação e conservação hidroambiental da bacia. Ao mesmo tempo, reduz o despejo de esgoto direto no rio, melhora as condições sanitárias locais e contribui para a conservação dos recursos naturais e a eliminação de focos de poluição.

Em outra importante ação ambiental, a Codevasf realiza a recuperação e o controle de processos erosivos pelos cerca de 945 mil quilômetros quadrados das bacias hidrográficas dos rios São Francisco Parnaíba – intervenções que afetam, direta ou indiretamente, a uma população de aproximadamente 23 milhões de habitantes. De 2011 a 2014, serão investidos R$ 218 milhões.

Aliada a essa iniciativa, a Codevasf tem apoiado a implantação de Centros de Referência em Recuperação de Áreas Degradadas (CR-ad’s), em parceria com universidades federais, para desenvolver metodologias específicas e adaptadas para cada região. O objetivo dos centros é estabelecer modelos de recuperação, promover a capacitação e disseminar práticas de recuperação e desenvolvimento sustentável.

 

Água como inspiração artística

postado por amoura @ 3:51 PM
5 de junho de 2013

Água caindo da chuva. Água atravessando o rio. Água na imensidão do mar. Água que respinga. Para quem faz arte, água é inspiração. Mais do que um bem precioso para a existência da vida, é poesia em diferentes formatos e cores aos olhos de quem canta, escreve, pinta ou fotografa a temática. Convidados pelo caderno Futuro da Água a falar sobre a relação da água com seu trabalho, artistas baianos se debruçam na poesia para descrever sentimentos, vivências e sensações ligados à importância de cuidar da água e trazê-la para o nosso dia a dia com a mesma entrega a que se dedicam à música, à poesia ou à arte visual. Sem ela, nem arte, nem vida!
Água e Arte_Carla VisiCarla Visi – cantora

“O meio ambiente começa dentro da gente”. Assim vejo o mundo e, transformando-me em uma pessoa melhor, quero transformar o ambiente em que vivo. Sempre acreditei na força da arte para sensibilizar as pessoas para as questões mais diversas. A música chega ao coração sem pedir licença. Então, parti dessa ideia para criar o show Canto para Natureza, no ano 2000. Fazíamos, através da música brasileira, uma viagem pelas manifestações da Natureza: sol, pássaros, matas, água, ar, os ciclos da vida, o planeta Terra… Depois de alguns anos, fui convidada pela Embasa para fazer um show na Concha Acústica para alunos das escolas públicas no Dia da Água. Adaptei o repertório e dediquei um momento do espetáculo para essa fonte de vida. A água está em nós na mesma proporção em que se encontra no planeta Terra, em torno de 70%. As primeiras estruturas vivas se desenvolveram na água. Somos gestados em líquido no útero materno. A água garante o bom funcionamento do organismo ao irrigar todo o nosso corpo. O Brasil possui as maiores reservas de água doce do mundo, além da rica biodiversidade e um potencial humano maravilhoso. Tudo isso, aliado à tecnologia e ao conhecimento, pode nos tornar o maior exemplo de gestão sustentável do mundo. Para haver qualidade de vida e um planeta saudável, precisamos zelar pelos rios, lençóis, lagos e mares e garantir o ciclo natural das águas.
Água e Arte_Matilde MatosMatilde Matos – artista plástica e crítica de arte

Nasci no Rio Grande do Norte, onde aprendi muito cedo a venerar a água como nosso bem maior. As torneiras nunca permaneciam abertas mais que o necessário. E se tínhamos fazenda com açudes, que nos diziam pela altura o que faltava para o gado parar de beber, fechavam-se mais ainda as torneiras, enquanto ainda dava tempo. Quando chegamos à Bahia, que nos parecia o paraíso das águas, houve uma seca que afetou o sisal plantado, o que agora se repete, como ouvi de um fazendeiro. Não podemos brincar com a água e qualquer quantia no banheiro ou na cozinha faz diferença, principalmente quando o gado começa a morrer – o que vem acontecendo. Todo cuidado com a água que se gasta, é pouco. Nunca esqueci o que me disse um rio-grandense, como eu, em um curso de inglês que cursávamos em Londres; ele se queixava que não podia tomar banho. Eu lhe disse: “Podemos sim, é só deixar a água correr mais tempo”. “Mas é exatamente isso que eu não consigo fazer”, dizia ele. Ele sabia o que é atravessar uma seca. No livro Água, Reflexos na Arte da Bahia (Editora Caramurê), de minha autoria, 59 obras em pintura, fotografia, instalação e escultura são apresentadas nas160 páginas da publicação, que faz uma abordagem histórica da presença do elemento água nas artes visuais da Bahia.
Arte e Água_Jô FelixJô Felix – artista visual

A água, como substância indispensável à vida e elemento componente da maioria dos seres vivos remete à nossa própria existência. Somos um corpo fluido e dependente dela para sobreviver. A arte, igualmente, refere-se à nossa existência, necessitamos dela para uma vivência plena e, como nos diz (o poeta) Ferreira Gullar, “a arte existe porque a vida não basta”. Água e arte são elementos essenciais para o homem e, neste sentido, agregar a água como componente de minha produção artística me dispõe a considerá-la como um elemento do interstício. Assim, na série fotográfica Interstício, as imagens revelam uma significativa apreensão de um momento em que se impõe um espaço entre as estruturas que parecem precárias, mas são majestosas e secretas, e elaboradas por um ente superior. Nesses espaços, que escapam e se mostram quando o estado de contemplação atua, está o segredo que liga o humano ao natural. É nesse intervalo que se revela o substrato do ser e permite a quem o contempla a surpresa e o sentimento de pertencimento a essas estruturas.
Agua e Arte_Perícles MendesPéricles Mendes – artista visual

O mar sempre exerceu um fascínio sobre mim. Como artista visual, não tardou para que essa convivência influenciasse a minha poética, o meu imaginário. O hábito corriqueiro de contemplar e caminhar pela praia me possibilitou perceber o universo de costumes, tradições e valores da cultura que são agregados às águas do mar. Transformar essas observações/percepções em objetos estéticos requer um comprometimento emocional real, verdadeiro, uma entrega sensorial na qual só me interessa coexistir naquele instante de contemplação, renunciando o antes e o depois temporal. Então, só posteriormente a essa experiência de interação com o meio ambiente posso exteriorizar minhas abstrações/reflexões. Em dois momentos, usufruí da água como matéria-prima para a criação de ensaios fotográficos: Mar de alma (2007) e Aguadeiros (2009). No primeiro, registrei a rotina dos pescadores de Itapuã e a sua relação com o mar. A poética desse ensaio sustenta-se em um discurso visual, onde a imagem romântica é focada pela cor e pelo contexto de seus protagonistas, onde o oceano narra o ir e vir dos corpos. Em Aguadeiros, investiguei, de forma mais aberta, o cotidiano das atividades dos ribeirinhos com ás águas do Rio São Francisco.

 Mercado baiano tem potencial de expansão para as energias renováveis


Mercado baiano tem potencial de expansão para as energias renováveis

O desequilíbrio ambiental ocasionado pelo esgotamento e pelo uso irracional dos recursos naturais tem levado alguns setores a investir em fontes alternativas na geração de energia elétrica, por conta do déficit em recursos hídricos, ocasionado pela falta de chuvas. As usinas hidrelétricas são as grandes geradoras de energia no Brasil, e a água das chuvas já não atende à grande demanda no setor. Nesse contexto, as energias eólica e solar despontam como economicamente viáveis para compor o fornecimento de energia do país, e, portanto, aliadas à economia de água na geração de energia elétrica e proteção ao meio ambiente.

A China e os Estados Unidos lideram o ranking na geração de energias renováveis e, no Brasil, a Bahia é um dos Estados com o maior polo de investimentos neste quesito, que tem como principais vantagens a não emissão de gases poluentes e a diminuição de resíduos, além de serem fundamentais em locais com pouca chuva, onde a escassez de água gera dificuldades no abastecimento das usinas hidrelétricas.

Uma das mais promissoras fontes naturais de energia é a eólica, que consiste na energia cinética gerada pelo vento, uma fonte limpa, renovável e eficaz. A Bahia tem atraído investimentos no setor, e já é considerado o maior parque eólico das Américas. Por conta disso, algumas empresas estão ampliando e instalando fábricas no Estado. Em março, foi confirmada a parceria de R$ 2,7 bilhões entre a Renova Energia, empresa situada na Bahia, e a Alstom, que vai proporcionar a ampliação do parque eólico baiano. Até 2014, serão investidos R$ 6,5 bilhões neste setor, gerando cinco mil empregos na implantação do parque e 500 na operação dos projetos.

Ney Maron, diretor de Meio Ambiente da Renova Energia, acredita que o investimento em energias renováveis atende a uma demanda da sociedade atual e é um fator de sobrevivência do planeta, que precisa reduzir o consumo de combustível fóssil, seja por razões econômicas ou pela necessidade de proteger o meio ambiente. Ele conta que uma das principais vantagens está na implantação e na operação dos parques eólicos. “A implantação é considerada de baixo impacto ambiental e social, por vários motivos, dentre eles a não interferência em nenhum curso d’água, pouca ou nenhuma supressão de vegetação e o pouco deslocamento de pessoas”.

A energia fotovoltaica é outra opção no que se refere a energias renováveis, e, nesse caso, a mesma converte a energia solar em energia elétrica limpa e com baixo custo de manutenção, podendo ser instalada em obras em andamento ou construções já finalizadas, através de painéis geralmente montados em telhados ou no chão. Marco Nowak, diretor da Donauer, empresa alemã que atua na área e tem uma filial na Bahia, conta que “para o meio ambiente as fontes de energia renovável, principalmente a solar e a eólica, são extremamente importantes, pois há redução de poluição do ar e abatimento do aquecimento global”.

Os investimentos neste tipo de energia ainda estão em expansão na Bahia, e as condições climáticas maximizam as possibilidades de suas utilizações. “Desde 2012, o mercado vem aumentando e absorvendo melhor essa ideia, além de outras opções de energias renováveis. Os altos índices de radiação solar geram um grande potencial de expansão e consolidação da energia solar e eólica”, conta Nowak.

Nowak pontua que “o Nordeste está passando por uma das piores secas, que entre as muitas consequências está a escassez de água para gerar eletricidade. As demais fontes regenerativas poderiam e deveriam assumir um papel mais forte na nossa matriz energética. A tecnologia está madura, o mundo todo usa a energia solar, faltam apenas maiores investimentos para que elas passem a ter um papel mais amplo na geração de energia”. Os investimentos são essenciais e podem gerar fortes resultados no desenvolvimento social e econômico, especialmente em áreas do semiárido nordestino, com a ampliação da indústria nacional, oportunidades de emprego, a redução da pobreza, o aumento da segurança energética e a diminuição do risco de apagões.

Tecnologias sustentáveis geram economia para empresas

postado por amoura @ 11:05 AM
5 de junho de 2013

 

Aproveitar a iluminação natural, reduz o consumo de energia elétrica e, consequentemente, de água

Aproveitar a iluminação natural, reduz o consumo de energia elétrica e, consequentemente, de água

Adotar atitudes sustentáveis, que vão desde a reciclagem do lixo até a construção de edifícios que reduzem o consumo de recursos naturais e a emissão de resíduos, é uma das preocupações de empresas que buscam a sustentabilidade aliada à economia. Na Bahia, as organizações já adotam tecnologias sustentáveis nas construções, e ambientes são projetados com o objetivo de preservar o meio ambiente, com o intuito de atender a uma demanda que cresce a cada dia.

Para que uma empresa seja considerada ecologicamente correta, é necessário identificar a maneira como ela se compromete a minimizar ou eliminar os impactos provenientes do seu processo produtivo. Para a arquiteta Adélia Estevez, esse pensamento vem crescendo a cada dia na capital baiana. “Os clientes já estão tendo um ponto de vista nesse sentido e procuram propostas de projetos que buscam desenvolver um ambiente diferenciado, com economia de luz, água e o reaproveitamento de materiais. Buscamos incrementar as propostas que ainda não têm essa visão”, diz.

Pequenas mudanças como a colocação das persianas que controlam a luz natural, descargas com duplo acionamento, a utilização da ventilação natural, a adoção de varanda sem climatização artificial, além de grandes investimentos como a captação da água de chuva e o teto de vidro são alguns dos exemplos de atitudes sustentáveis adotadas pelas empresas. Para Estevez, todos podem adotar essas tecnologias, basta que o local favoreça a sua utilização. “Algumas coisas podem ser utilizadas por todos, mas algumas áreas não favorecem, por exemplo, a utilização de uma ventilação natural em vez do ar condicionado”, expõe.

Um exemplo bem-sucedido de empresa sustentável é o Salvador Shopping, vencedor de três prêmios internacionais no quesito Projetos e desenvolvimentos inovadores. O shopping foi totalmente desenvolvido dentro do conceito ecologicamente correto, e projetado para reduzir os impactos ambientais desde a sua fundação até o revestimento. O empreendimento faz captação de água de chuva, que é armazenada e tratada para o uso no sistema de descargas de sanitários; outra fonte de redução de impacto ambiental e de custos é o sistema de esgoto a vácuo, que reduz em 90% a necessidade de água para descargas – o que minimiza, na mesma proporção, a geração de esgoto, sem contar a redução do consumo de água, que é significativa: enquanto o sistema de esgoto tradicional consumiria 47 milhões de litros por ano, o sistema a vácuo reduz o consumo para 4,7 milhões de litros/ano. Com o sistema de reutilização de água de chuva, este consumo então é reduzido para 2,3 milhões de litros ao ano.

Gian Franco, superintendente do Salvador Shopping, acrescenta, ainda, que o dômus de vidro do empreendimento aproveita cem por cento a iluminação natural, o que permite o uso racional de energia e automatiza o ligar e desligar dos equipamentos e luminárias. Ele garante ainda que o empreendimento não utiliza formas de madeira na estrutura de construção, incentiva a coleta seletiva e realiza o reaproveitamento de energia como forma de diminuir os impactos ao meio ambiente.

Rodrigo Dratovsky, diretor geral da construtora Via Célere, conta que este ano algumas tecnologias verdes já utilizadas pela empresa em Madri, na Espanha, vão fazer parte das construções de Salvador, gerando assim menos entulho e um produto final que ofereça economia. “Além da instalação de sistemas que geram economia de energia e água, ações simples como a instalação de luzes de LED, torneiras com desligamento automático e descarga com duplo acionamento nas áreas de uso dos funcionários do prédio já trazem uma economia significativa de água para as empresas”, conta.

Para Dratovsky, todos têm responsabilidade com o meio ambiente, e a preocupação com as gerações futuras é fundamental e deve estar presente desde a construção de imóveis até os pequenos cuidados diários nas residências e locais de trabalho. “Já não cabem mais ações imediatistas, de economias no presente com consequências devastadoras no futuro. O pensamento deste momento deve ser ao inverso: devemos investir agora para que tenhamos economia financeira no futuro e uma participação responsável para a manutenção dos recursos naturais”, alerta.

Os Planos de Bacias Hidrográficas permitirão compatibilizar os aspectos quantitativos e qualitativos do uso das águas, segundo o secretário Eugênio Spengler

Criada com o objetivo de formular e executar políticas públicas voltadas para o desenvolvimento, preservação e saneamento dos recursos hídricos e ambientais, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) tem como grande desafio atual fortalecer a política de convivência com a seca, cujo projeto passa, na primeira instância, pela gestão dos recursos hídricos, a cargo do Conselho Estadual de Recursos Hídricos (Conerh).

“Como parte da política estadual de recursos hídricos, destaco os Planos de Bacias Hidrográficas (uma iniciativa da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e do Instituto de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema)), que nos permitirão compatibilizar os aspectos quantitativos e qualitativos do uso das águas, incluindo seu diverso uso econômico”, ressalta o secretário do Meio Ambiente, Eugênio Spengler.

Outro projeto atual da Sema, afirma o secretário, é a criação de barramento de água para a captação do recurso, o que requer da região o potencial para a implantação de adutoras, a partir da construção de um plano estrutural a começar pelo semiárido, que é a área de maior fragilidade. “Os Planos de Bacia nos darão uma base fundamental nesse processo”, ressalta o secretário.

A preocupação com a preservação da água vai além da situação de emergência que se vive, hoje, no sertão da Bahia, conforme o secretário Eugênio Spengler. “Devemos estar atentos, a todo momento, quanto à economia desse recurso essencial, que vem se escasseando por conta de uma série de fatores como a poluição, o seu uso indevido e asua contaminação, independente da região em que vivemos. Toda a população deve ser sensibilizada para evitar os gastos desnecessários de água”, discorre.

Outra ação importante é a necessidade de se incorporar no dia a dia da população o aproveitamento da água da chuva para o uso doméstico, completa o secretário. “Os condomínios novos, em especial, podem ter em sua estrutura sistemas de armazenamento da água pluvial e isso deve ser tomado como um compromisso social que, inclusive, baixará os custos com água para os próprios moradores”.

Para o secretário, é necessário que toda a população baiana, incluindo a de Salvador, esteja consciente de que vivemos uma situação grave em relação à disponibilidade de água. “Devemos ter um cuidado maior com o nosso meio ambiente, não usar a água indevidamente, não desperdiçá-la com torneiras gotejando, por exemplo”, diz. Até porque a água que é tratada e distribuída pela Embasa é de boa qualidade, afirma o secretário Eugênio Splenger. “O que verificamos é o aumento no custo do tratamento dessa água por causa da contaminação dos mananciais onde ela é captada”.

E qual o futuro da água na Bahia? “Temos um desafio grande. Um deles é aprofundar a política ambiental, com a recuperação de nascentes, mantendo as condições para que elas não sequem; preservando áreas de aquíferos e cuidando para que os rios não sejam assoreados, garantindo, assim, a produção de água e sua qualidade”, afirma o secretário.

Outro desafio, conta, é aprofundar a política do semiárido, cuidando da reservação e distribuição da água através de cinco barragens que estão sendo estruturadas no Estado, estando a maior delas localizada no Semiárido. Além disso, a Sema tem foco na ampliação da construção de adutoras para atender à demanda e, assim, a Bahia sofrer menos a cada seca. “É enorme o sofrimento da população, mas diria que não é maior que há 30 anos, porque, hoje, temos uma política de enfrentamento da seca e estruturação”.

O futuro da água na Bahia, segundo o secretário do Meio Ambiente, passa, também, pelo avanço, ainda maior, da política de sustentabilidade do recurso para fins econômicos. “Sem deixar de levar em conta que, claro, prioritariamente as atenções estão voltadas para o consumo humano e animal”, conclui Splenger.

Qualidade da água do Estado da Bahia é monitorada pelo Inema

postado por amoura @ 11:54 AM
29 de abril de 2013

O instituto controla 315 pontos de amostragem e, até 2015, a meta é atingir 566 pontos por meio do programa Monitora

 O monitoramento de qualidade das águas é considerado um dos mais importantes instrumentos da gestão ambiental. Na Bahia, as condições qualitativas da água e a ocupação do solo nas diferentes bacias hidrográficas são controladas por meio do programa Monitora, executado pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema). Autarquia da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), o órgão executor da política ambiental do Estado monitora 134 rios, além de outros corpos d’água, em um total de 315 pontos de amostragem, com meta de atingir 566 pontos até 2015, conforme o coordenador de monitoramento do Inema, Eduardo Topázio.

As coletas são sistemáticas, sendo analisados diversos parâmetros físicos, químicos e biológicos. “O monitoramento ambiental é um projeto inovador onde é avaliada, de forma ampla e integrada, a qualidade ambiental. Monitora-se a qualidade e a quantidade das águas doce, a qualidade do ar, o comportamento dos ventos, bem como, a balneabilidade das praias”, ressalta Eduardo Topázio.

A partir do monitoramento da água no Estado da Bahia – que está sob a coordenação, execução e acompanhamento do Inema –, pode-se avaliar a evolução espacial e temporal da qualidade das águas para os diferentes fins. “As ações da fiscalização ambiental, desenvolvidas pelo Inema, estão ligadas ao nosso compromisso com as questões ambientais e a sua responsabilidade técnica”, afirma.

No litoral do Estado, o monitoramento da qualidade das águas foi interrompido em 1995, e só retomado a partir de 2009, quando as condições de balneabilidade de suas praias voltaram a ser avaliadas. Hoje, são 107 pontos distribuídos em toda a costa baiana, segundo dados do Inema. Além da fiscalização de rotina, o Inema mantém equipes de plantão 24 horas, incluindo os finais de semana e feriados, para atender a acidentes e emergências ambientais, estabelecer ações de controle, realizar avaliação técnica e monitoramento de áreas atingidas por acidentes ambientais. Por meio do Disque Meio Ambiente (08000 71 1400), a população pode denunciar crimes ou sinistros ambientais.

Conforme Eduardo Topázio, os Planos de Bacias Hidrográficas da Bahia – que estão sendo executados junto à Secretaria Estadual do Meio Ambiente – trazem uma inovação, que é “a incorporação, de maneira mais consistente, dos aspectos e demandas ambientais, fazendo uma gestão integrada das políticas de meio ambiente e recursos hídricos”.

Instrumentos previstos nas Políticas Nacional (Lei nº 9.433/97) e Estadual (Lei Nº 11.612/09), os Planos de Bacias Hidrográficas são planos diretores, de natureza estratégica e operacional, e têm como papel fundamentar e orientar a implementação da Política Estadual de Recursos Hídricos, compatibilizando os aspectos quantitativos e qualitativos do uso das águas.

“O objetivo dos Planos de Bacias Hidrográficas é gerar elementos e meios que permitam aos comitês, ao Inema e aos demais componentes do Sistema Estadual de Gerenciamento de Recursos Hídricos gerirem, efetiva e sustentavelmente, os recursos hídricos superficiais e subterrâneos, de modo a garantir os usos múltiplos de forma racional e sustentável”, explica Eduardo Topázio.

Segundo dados do Inema, já foram contratados oito planos de bacias, que são eles: Paraguaçu, Recôncavo Norte/Inhambupe, Recôncavo Sul, Bacia de Contas, Bacia do Leste, Bacia do Rio Grande, Bacia do Rio Corrente e Bacia do Salitre.

Águas subterrâneas determinam a qualidade da água

postado por amoura @ 11:52 AM
29 de abril de 2013

Municípios baianos, como Alagoinhas e Dias D´Ávila, desfrutam, no cenário nacional, o privilégio de possuir água de excelência

Por meio do cálculo do Índice de Qualidade da Água (IQA) – realizado dentro de parâmetros físicos, químicos e biológicos – obtém-se dados para a análise da água dos rios, lagos e represas para o abastecimento público. Na Bahia, os pontos com melhor qualidade de água, conforme estudos do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), pertencem aos municípios de Mascote, Jaborandi, Barra, Glória, Carinhanha, São Desidério, Itanagra, Andaraí e Tanhaçu.

Salinidade, pH, resíduos totais, dureza, nitrato e flúor são alguns dos elementos representativos na medição da qualidade da água. As amostras são coletadas de vários pontos diferentes de um mesmo rio, por isso pode haver variação espacial da qualidade da água, como explicam os técnicos do Inema. Os pontos localizados em trechos de rios que cortam cidades, por sua vez, tendem a apresentar IQA com valores mais baixos (quanto maior for o valor, melhor é a qualidade da água).

O IQA, que varia entre zero e 100, permite a avaliação sazonal da qualidade de um mesmo manancial e a comparação da qualidade entre diferentes cursos d’água, conforme técnicos do Inema. A investigação também traz informações sobre a contaminação dos corpos hídricos, ocasionada pelos esgotos domésticos.

Águas subterrrâneas – A Bahia se destaca no cenário nacional pela excelência dos seus recursos hídricos subterrâneos – que são filtrados e purificados naturalmente através da percolação – em cidades como Alagoinhas e Dias D´Ávila. A qualidade da água dessas cidades está relacionada ao aquífero (sistema de armazenamento e escoamento de água subterrânea) de São Sebastião, pertencente à Bacia Sedimentar do Recôncavo.

A importância do aquífero de São Sebastião é conferida, sobretudo, em seus múltiplos usos: no abastecimento público integral das cidades de Camaçari, Alagoinhas, Dias D’Ávila, Pojuca, São Sebastião do Passé, Mata de São João, Catu, Alagoinhas e inúmeros povoados; no suprimento da indústria petroquímica, de metalurgia, automotiva, nas termoelétricas para a geração de energia e de bebidas.

O manancial de Alagoinhas, localizado a 119 km de Salvador, é reconhecido não só pela sua água de qualidade – comprovada através de análises físico-químicas e bacteriológicas. “Esse manancial é reconhecido, também, pela sua quantidade: utilizamos apenas 25% da sua reserva”, pontua Sylvio Farias Vianna, diretor do Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Alagoinhas (SAAE), responsável pelo abastecimento de água do município. Segundo dados do SAAE, a pureza dos poços de Alagoinhas tem relação com o terreno sedimentar (arenoso) do município e com a profundidade média na qual o aquífero está localizado, entre 100 e 150 metros.

“Esses dois fatores permitem que o terreno filtre quase todas as impurezas, deixando a água cristalina e leve”, explica o assessor especial da autarquia, Nilo Carvalho. A chamada água bruta, que é retirada diretamente do lençol, é naturalmente potável. “Adicionamos flúor e cloro para cumprir a legislação. Mas estes são os únicos tratamentos necessários”, completa Sylvio.

Apostas – As características do Aquífero de São Sebastião, abundante em quantidade e qualidade, foram decisivas para que empresários do setor de bebidas escolhessem Alagoinhas e Dias D´Ávilas para instalar suas fábricas. A Schincariol, do grupo Kirin, foi a primeira cervejaria a chegar a Alagoinhas, há 15 anos. No ano passado, o Grupo Petrópolis, dono das marcas Itaipava e Crystal, assinou o protocolo de intenções para a instalação de uma fábrica em Alagoinhas. A empresa investiu R$ 1,1 bilhão e espera produzir, a partir de maio deste ano, 600 milhões de litros de cerveja.

O município também foi o escolhido pela peruana Industrias San Miguel (ISM), líder na venda de refrigerantes em seu país, para ganhar o mercado brasileiro. A empresa americana Latapack-Ball, fabricante de latas de alumínio, apostou igualmente em Alagoinhas, investindo R$ 200 milhões.

Dias D´Ávila, por sua vez, foi elevada à categoria de Estância Hidromineral, em 1962, pela qualidade de sua água mineral. Antes, em 1957, a fábrica de água mineral Dias D’Ávila foi instalada no município. Anos depois, o município se tornou sede de outras engarrafadoras de águas minerais, como a Frésca e a Indaiá. Com a descoberta das características terapêuticas das águas do rio Imbassaí, Dias D´Ávila passou a ser considerada área de veraneio e localidade apropriada para o tratamento de doenças de pele devido à lama medicinal encontrada no rio. Desde então, sua água passou a ser engarrafada e comercializada no mercado.

“A Frésca chegou em Dias D´Ávila em 1998, atraída pelo potencial de água mineral da região, que tem um lençol freático de quilômetros e quilômetros de água cujos minerais foram filtrados do solo pela natureza. E essa água é envazada para comercialização, preservando todos os sais minerais benéficos à saúde e sem contraindicação”, disse o superintendente da empresa, Manuel Vitorino.

Ele explica que a água sai da natureza, passa por filtros de resina, para filtrar os minerais insolúveis, e, depois, vai para os tanques de armazenamento, atravessa a tubulação de inox e desce até as linhas de envasamento, sem passar por qualquer processo químico para que não se percam as suas propriedades minerais.

Canal do Sertão Baiano visa beneficiar o semiárido do Estado

postado por amoura @ 11:26 AM
29 de abril de 2013

Projeto da Codevasf pretende levar água do Rio São Francisco às bacias hidrográficas dos rios Itapecuru e Jacuípe

Solucionar o problema de abastecimento humano e animal e impulsionar o desenvolvimento regional são os principais objetivos do projeto Canal do Sertão Baiano, criado pela Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), em fase de formatação. A proposta é levar água do Rio São Francisco às bacias hidrográficas dosRios Itapecuru e Jacuípe para o consumo da população de uma das regiões que mais sofrem com as estiagens na Bahia.

“Esse projeto terá um tratamento especial. Não podemos acabar com a nossa riqueza maior, o Velho Chico”, afirma o presidente da Codevasf, Elmo Vaz. Segundo ele, o Governo Federal – por meio do Ministério da Integração Nacional e da Codevasf – estima investir até R$ 6 bilhões na obra, que já está incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Os estudos de viabilidade do projeto do Canal do Sertão Baiano contam com R$ 12 milhões, também já assegurados no âmbito do PAC. A expectativa é de que o edital para a contratação desses serviços seja publicado no Diário Oficial da União, em abril. O início da obra está previsto para 2014.

O desenho inicial do projeto, já apresentado ao Ministério Público Estadual da Bahia e a representantes do governo baiano, além de deputados, prefeitos e vereadores de várias cidades do semiárido baiano, prevê a tomada d’água do reservatório de Sobradinho para ser conduzida, em um percurso de, aproximadamente, 350 km, até a barragem de São José do Jacuípe. Conforme Elmo Vaz, a obra também beneficiará a população das bacias hidrográficas dos Rios Salitre, Tatauí, Tourão/Poções e Vaza-Barris. “A prioridade é o consumo humano. Entretanto, não podemos deixar de reconhecer a necessidade de apoiar as vocações dessas regiões”, ressalta.

Dentro da política de segurança hídrica para o semiárido baiano, considera o secretário estadual do Meio Ambiente, Eugênio Spengler, contar com a água do São Francisco é fundamental, levando-se em conta os cuidados no que se refere à sustentabilidade do rio. “Com esse projeto, que faz parte da estruturação de uma política de plano de infraestrutura hídrica do Estado, estamos diante da possibilidade do uso da água do São Francisco para garantir água para a região e uma estratégia importante para garantirmos uma situação mais favorávelem médio e longo prazo”, afirma o secretário.

Para a viabilização do projeto, Elmo Vaz afirma que o apoio dos deputados estaduais e prefeitos é fundamental. “Hoje, a Codevasf é uma instituição do Nordeste, e todos devem somar esforços para que esta Companhia possa realizar mais do que já tem feito pelo povo sertanejo”.

O presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), Anivaldo Miranda, considera que a região é muito grande e demanda o consumo de água em escala correspondente. “Nós identificamos na proposta apresentada os ditames necessários para a sustentabilidade socioambiental da bacia do São Francisco”, disse.

Perenização do Rio Jacaré beneficiará 23 municípios atingidos pela seca

postado por amoura @ 11:24 AM
29 de abril de 2013

A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) lançou edital, também, para estudos de alternativas que tornarão perene o Rio Jacaré, situado na microrregião de Irecê (BA). A perenização beneficiará cerca de 450 mil habitantes em 23 municípios baianos atingidos pela seca.

Segundo o presidente do Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Verde e Jacaré (CBHVJ), Ednaldo Campos, os estudos vão diagnosticar a situação atual da bacia do Rio Jacaré e propor ações para incrementar a oferta de água nessa região semiárida. Entre as alternativas a serem estudadas estão o bombeamento da água no refluxo do Rio São Francisco, ou seja, no fluxo contrário ao da nascente, e a construção de um canal a partir do São Francisco para alimentar o Rio Jacaré.

“Esses estudos irão proporcionar à sociedade meios para que se definam com clareza os limites de exploração tanto para a irrigação como para a manutenção do rio vivo, evitando a exploração predatória que vem ocorrendo”, afirma o dirigente do comitê.

Ele explica que a alimentação do Rio Jacaré com a água do Rio São Francisco possibilitará o equilíbrio do lençol freático, a recuperação dos poços e o repovoamento de espécies da ictiofauna nativa (e, com isso, a piscicultura), além do abastecimento humano e animal das comunidades, a realização de pequenos projetos de irrigação e a implantação de pequenas indústrias de processamento de frutas.

O Rio Jacaré, também chamado de Vereda Romão Gramacho, nasce entre os municípios baianos de Barra do Mendes e Seabra. Ao longo dos seus 250 km de extensão, o rio passa por diversos municípios da Bahia e deságua no São Francisco, na barragem de Sobradinho, no município de Sento Sé. Devido à estiagem e à degradação ambiental como desmatamentos, queimadas, assoreamentos e barramentos não orientados, o rio está praticamente seco. A bacia do Rio Jacaré ocupa uma área de 18.328 km² e atende diretamente os municípios de Ibitiara, Seabra, Brotas de Macaúba, Souto Soares, Barra do Mendes, Ipupiara, Mulungu do Morro, Barro Alto, Bonito, Cafarnaum, Canarana, Ibipeba, Ibititá, América Dourada, Morro do Chapéu, João Dourado, Lapão, São Gabriel, Jussara, Itaguaçu da Bahia, Ourolândia, Umburanas e Sento Sé.