Entre abundância e escassez: os dois lados da mesma moeda

posted by amoura @ 1:18 PM
2 de dezembro de 2009

 

O Brasil detém 12% da água doce mundial, o que nos garante abundância em algumas regiões, mas completa escassez em outras

O Brasil detém 12% da água doce mundial, o que nos garante abundância em algumas regiões, mas completa escassez em outras

 Nós simplesmente possuímos 12% da água superficial terrestre. É muito nesses tempos que indicam escassez desse líquido tão poderoso e vital. Nesse contexto, a Amazônia se destaca com seus grandes rios, regiões inteiras encharcadas, chuvas abundantes e densidade demográfica bastante baixa. Por outro lado, quando nos aproximamos mais do centro e do litoral brasileiro, a população aumenta junto com a demanda de água. E a oferta, para o lado de cá, não é tão vasta assim. Mas para o Nordeste então, a coisa complica e aí temos uma das regiões de maior estresse pela água não somente do Brasil, mas do próprio continente e do mundo, gerando mazelas sociais graves, ainda não superadas pelas novas gerações. A seca e os longos períodos de estiagem não somente afetam a natureza árida, mas a perspectiva de vida de toda uma população que não vivencia plenamente o direito humano à água. Desafios de uma terra tão grande quanto desigual. Assim como somos.

 Esse País tão rico em água ainda não consegue garantir que esse direito alcance de forma igualitária a todos. Por aqui, apenas 41% das casas são atendidas por rede de abastecimento de água. Desse número, menos da metade (57,4%) possui sistema de coleta de esgoto sanitário. Outro dado é o desperdício dos recursos hídricos desperdiçados em até 30% pelas redes de abastecimento, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento. A situação se agrava quando pensamos nos nossos próprios hábitos de consumo e falta de racionalização do uso. Por aqui, a maior parte da água é utilizada na agricultura. A indústria cada vez mais explora a utilização de águas subterrâneas através da abertura de poços artesianos – outro potencial forte de nosso território, mas que demanda estudo e gestão racional.

 No Norte, está localizada a maior bacia hidrográfica da América do Sul, a Bacia Amazônica, cujo potencial hídrico superficial se mostra bastante alto, ampliado pela baixa demanda hidrográfica e pesquisas em torno das águas subterrâneas, promissoras na região por se apresentarem mais frequentemente nos terrenos sedimentares. Mais ao sul, foi descoberto recentemente o Aquífero Guarani, localizado na Bacia Sedimentar do Paraná, com uma área de mais de 1,2 milhão de quilômetro quadrado. Essa verdadeira mina estende-se pelo Brasil (Goiás, Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) com 840.000 quilômetros quadrados), Paraguai (58.500 quilômetros quadrados), Uruguai (58.500 quilômetros quadrados) e Argentina (255.000 quilômetros quadrados). Estima-se que ele possa conter mais de 40 mil quilômetros cúbicos de água, o que é superior a toda a água contida nos rios e lagos de todo o planeta. Outra riqueza é a Bacia do Rio da Prata, que nasce no Brasil e se expande para terras dos países mais próximos. Do outro lado do País, cá na beira do Atlântico, o Nordeste com seus nove estados partilha apenas 4% da água doce disponível no Brasil.

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