Bacias Hidrográficas de Salvador

posted by amoura @ 5:17 PM
26 de novembro de 2009

“Por suas características geoclimáticas, de relevo acidentado e umidade elevada, a cidade de Salvador apresenta uma rica rede hidrográfica, diversa em ambientes aquáticos, com rios extensos, originalmente formados por significativas áreas alagadas, dominadas por densa vegetação ripária, abrigo de várias espécies animais e vegetais, tais como aves e répteis, inclusive sucuris e jacarés, este último, praticamente desaparecido. Além disso, registra-se ainda a ocorrência de lagos e lagoas, muitos nas regiões de depressão entre dunas, resultantes da exposição do lençol freático. Todo esse conjunto hídrico compõe as bacias hidrográficas localizadas no Município, as quais podem ser organizadas em, ao menos, dez: Barra, Camurujipe, Cidade Baixa, Cobre, Ipitanga, Jaguaribe, Lucaia, Pituaçu, Pituba e Subúrbio.”

O título deste post e o texto acima retirado do documento “Bacias Hidrográficas no Município de Salvador: Iniciativas de Gestão Integrada”, publicado em outubro de 2006, pela SMA (Superintendência do Meio Ambiente) da prefeitura de Salvador pode estranhar a muitos, inclsuive a mim mesmo quando li o referido documento. Afinal, não vemos tantos rios (quanto mais bacias hidrográficas) e um clima quase intocável quanto o descrito acima. Mas vamos explicar um pouco.

 “Bacias hidrográficas são regiões  compreendidas entre divisores de água, ou divisores topográficos, que são zonas de elevação, na qual toda a água aí preciptada escoa, pela ação da gravidade, por um único exutório (ponto mais baixo, no limite de u sistema de drenagem)” (Vacabulário básico de recursos naturais e meio ambiente. BRASIL, 2004,).bacias hidrográficas

De acordo com essa definição, o PDDU 2000 de Salvador elencou 10 bacias hidrográficas na capital baiana:

  • Barra (585,9 ha de área, 1,9km de extensão, com  foz na Barra e Ondina);
  • Lucaia (1.396 ha, 5,5km de extensão, com foz no Rio Vermelho);
  • Ptuba (sem área nem extensão definida, mas com foz na Pituba);
  • Camurujipe (4.401 ha, 13,4 km de extensão e tem o Costa Azul como foz);
  • Pituaçu (2.815 ha, 9,4 km de extensão e foz no bairro de mesmo nome);
  • Jaguaribe ( 6.068 ha, 15,2 km de extensão e foz em Jaguaribe);
  • Ipitanga, Cidade Baixa, Subúrbio sem extensõe nem áreas definidas e com fozes nos bairrs de respectivos nomes;
  • Cobre, também sem área nem extensão definidos e com foz no bairro de Pirajá.

tororo

Acontece que o crescimento desordenado da cidade, ações antrópicas direta ou indiretamente ligadas à vida dos rios acabou matando, como já comentei em outros tópicos, diversos rios da cidade.  Ou foram completamente soterrados (como a bacia da Pituba, onde só restou a lagoa) ou poluídos, como a 2ª maior bacia hidrográfica da cidade, a Camurujipe. O resultado é que hoje, temos em Salvador, assim como nas outras grandes cidades brsileiras, pouquíssimas bacias hidrográficas com água poável e que podemos chamá-las de rios.

Comentando sobre o Camurujipe, outro dia com um amigo, não fiquei surpreso com o espanto dele em saber que o esgoto a céu aberto que passa por grande parte da cidade era na verdade um rio. Pelo menos um dia assim foi. Não me surpeendo porque rio, no imaginário comum, é aquele curso d’água que desde a sua nascente até su foz passa por diversas paisagens levando água para molhar as margens e servindo de habitat natural para peixes, anfíbios, répteis e outros seres vivos. Mas o que vemos e um canal concretado por onde passa um líquido escuro, repelto de lixo e com um mal cheiro.

Uma prova do morte dos rios de Salvador é o baixíssimo índice de Oxigênio Dissolvido (OD). Segundo dados do documento do SMA, as bacias da Barra, Lucaia, Pituba, Camurujipe, Pituaçu, Jaguaribe e do Subúrbio apresentam OD menor que 4 mg/L. A bacia do Ipitanga OD entre 4 e 6 mg/L e somente a do Cobre acima de 6 mg/L. A maioria dos seres não sobrevivem com menos de 5 mg/L. Veja abaixo uma tabela de seres e suas respctivas resistências aos níveis de OD.

pituba

Esse texto foi enviado por Osvaldo Arruti Lyrio. Publicitário e graduando em administração, ele é um colaborador voluntário do blog Futuro da Água de A TARDE.


A água e o esgoto

posted by amoura @ 11:45 PM
9 de novembro de 2009

A água e o esgoto

Como sabemos a água própria para o consumo é a água potável, para ser considerada boa para o ser humano ela deve atender os padrões de potabilidade. Se em sua composição houver alguma substância que modifique estes padrões ela é considerada poluída e necessita passar por um tratamento nas Estações de Tratamento de Água (ETA), para se tornar adequada ao nosso consumo. 

O Esgoto é a água que já utilizamos em nossas casas, no comércio e na indústria, a água suja. O esgoto é a mistura da água que usamos para lavar louça, tomar banho, dar descarga no vaso sanitário, escovar os dentes com outras substâncias como produtos químicos, etc. Através das Estações de Tratamento de Esgotos (ETE) essa água suja é tratada e devolvida à natureza.

Você conhece a ETA e ETE da sua cidade?


O que podemos fazer?

posted by amoura @ 4:23 PM
5 de novembro de 2009

Hoje nossa revolta será traduzida apenas por algumas imagens do fotógrafio Luciano da Matta da Agência A Tarde e a pergunta: o que podemos fazer com isso?


Você sabe que rio é esse?

posted by amoura @ 11:48 AM
29 de outubro de 2009

Selecionamos 04 imagens de rios da Região Metropolitana de Salvador e gostaríamos de saber se vocês sabem identificar o verdadeiro nome deles.

Topa o desafio?

Rios da RMS


Poluição dos recursos hídricos…

posted by amoura @ 7:08 PM
21 de outubro de 2009

Quando queremos usar alguma música para falar de poluição dos recursos hídricos, talvez a mais usada seja Purificar o Subaé, de Caetano Veloso. De fato, é clichê. De fato, é genial.

Purificar o Subaé
Mandar os malditos embora
Dona d’água doce quem é?
Dourada rainha senhora
Amparo do Sergimirim
Rosário dos filtros da aquária
Dos rios que deságuam em mim
Nascente primária
Os riscos que corre essa gente morena
O horror de um progresso vazio
Matando os mariscos e os peixes do rio
Enchendo o meu canto
De raiva e de pena”

A destruição dos rios, principalmente os que passam por nossas cidades, como o Subaé que corta Santo Amaro da Purificação e encheu Caetano de raiva, nos entristece e nos revolta. Os rios urbanos, em boa parte do mundo, são poluídos, frutos de anos, muitas vezes, séculos de toneladas de lixo sendo jogados em seus leitos.

O Subaé sofreu anos de poluição de chumbo da indústria chamada Cobrac, hoje desativada. Em Salvador, os exemplos de rios poluídos são muitos:

  • rio Cobre (que nasce em Coutos, próximo à Estrada Paripe/Base Naval e desemboca na Península Itapagipana), é um dos menos poluídos;

  • rio Camorugipe (tem a nascente em Boa Vista de São Caetano, atravessa boa parte do novo centro econômico de Salvador, a região do Iguatemi e Tancredo Neves e deságua na praia do Costa Azul);

  • rio Lucaia, na foto acima, que deságua na praia do Rio Vermelho;

  • riacho dos Seixas, que delineia toda a avenida Centenário e que deságua ao lado do morro do Cristo. Em outubro de 2008 foi totalmente canalizado e coberto através de uma obra da prefeitura de Salvador. Desta forma, se ainda havia alguma esperança de vida para o riacho, morreu sufocado com o concreto da cobertura.

Segundo a pesquisadora Lúcia Politano, mestre em Engenharia Ambiental e Urbana pela UFBA, há informações de que muitos rios e riachos existiam pela cidade até bem pouco tempo e que simplesmente desapareceram, pela poluição e uso descontrolado da construção civil. A Barra, a Pituba e outros bairros foram testemunhas dessas mortes.

Contudo, temos inúmeros exemplos de recuperação. Sabemos que leva tempo e dinheiro. E a qualidade de vida que teremos, será infinitamente melhor e não nossos poetas não poderão usar suas emoções para falar de coisas bonitas, apenas.


Esse texto foi enviado por Osvaldo Arruti Lyrio. Publicitário e graduando em administração, ele é um colaborador voluntário do blog Futuro da Água de A TARDE.