Poluição dos recursos hídricos…

posted by amoura @ 7:08 PM
21 de outubro de 2009

Quando queremos usar alguma música para falar de poluição dos recursos hídricos, talvez a mais usada seja Purificar o Subaé, de Caetano Veloso. De fato, é clichê. De fato, é genial.

Purificar o Subaé
Mandar os malditos embora
Dona d’água doce quem é?
Dourada rainha senhora
Amparo do Sergimirim
Rosário dos filtros da aquária
Dos rios que deságuam em mim
Nascente primária
Os riscos que corre essa gente morena
O horror de um progresso vazio
Matando os mariscos e os peixes do rio
Enchendo o meu canto
De raiva e de pena”

A destruição dos rios, principalmente os que passam por nossas cidades, como o Subaé que corta Santo Amaro da Purificação e encheu Caetano de raiva, nos entristece e nos revolta. Os rios urbanos, em boa parte do mundo, são poluídos, frutos de anos, muitas vezes, séculos de toneladas de lixo sendo jogados em seus leitos.

O Subaé sofreu anos de poluição de chumbo da indústria chamada Cobrac, hoje desativada. Em Salvador, os exemplos de rios poluídos são muitos:

  • rio Cobre (que nasce em Coutos, próximo à Estrada Paripe/Base Naval e desemboca na Península Itapagipana), é um dos menos poluídos;

  • rio Camorugipe (tem a nascente em Boa Vista de São Caetano, atravessa boa parte do novo centro econômico de Salvador, a região do Iguatemi e Tancredo Neves e deságua na praia do Costa Azul);

  • rio Lucaia, na foto acima, que deságua na praia do Rio Vermelho;

  • riacho dos Seixas, que delineia toda a avenida Centenário e que deságua ao lado do morro do Cristo. Em outubro de 2008 foi totalmente canalizado e coberto através de uma obra da prefeitura de Salvador. Desta forma, se ainda havia alguma esperança de vida para o riacho, morreu sufocado com o concreto da cobertura.

Segundo a pesquisadora Lúcia Politano, mestre em Engenharia Ambiental e Urbana pela UFBA, há informações de que muitos rios e riachos existiam pela cidade até bem pouco tempo e que simplesmente desapareceram, pela poluição e uso descontrolado da construção civil. A Barra, a Pituba e outros bairros foram testemunhas dessas mortes.

Contudo, temos inúmeros exemplos de recuperação. Sabemos que leva tempo e dinheiro. E a qualidade de vida que teremos, será infinitamente melhor e não nossos poetas não poderão usar suas emoções para falar de coisas bonitas, apenas.


Esse texto foi enviado por Osvaldo Arruti Lyrio. Publicitário e graduando em administração, ele é um colaborador voluntário do blog Futuro da Água de A TARDE.